Segurança condominial e o processo educacional

Quando conversamos com algumas pessoas que moram em condomínio uma característica comum que as levaram a esta escolha é a maior sensação de segurança, acreditam que estão mais protegidas.

A realidade nos parece bem outra quando olhamos os números do aumento da violência nos últimos anos, mostrando que os condomínios não estão livres da violência urbana, uma vez que os problemas que envolvem a criminalidade no Brasil estão longe de acabar.

Para minimizar possíveis ações dos marginais, os condomínios precisam investir, não só em tecnologia, mas, também, na educação dos funcionários e dos moradores, assunto desta nossa discussão.

Neste aspecto o papel do sindico é fundamental. É preciso muitas vezes mudar a cultura dos moradores, procurando construir internamente uma comunidade com atitudes voltadas a proteção de todos e aos bons princípios de convivência. 

Para que isto ocorra de forma positiva o trabalho da administração deve ser constante, pois a tendência com o tempo é cair no esquecimento, ou na rotina, menosprezando os princípios fundamentais da segurança condominial e dos relacionamentos.

Em termos práticos seria preciso estimular cada morador a fazer a sua parte para garantir a segurança de todos.

Não temos como negar a responsabilidade dos síndicos neste aspecto. Com a experiência percebemos que a falta de orientação, ou o distanciamento dos síndicos não assumindo a sua responsabilidade de orientar através da informação/educação/treinamento, acaba por prejudicar a convivência entre vizinhos, a segurança condominial e até os relacionamentos interpessoais, colocando em risco toda a estabilidade condominial.

Os moradores de modo geral procuram segurança e comodidade, esta é inversamente proporcional a segurança. Quanto mais comodidades buscam os moradores, mais riscos correm eles e por extensão todo o condomínio.

Como exemplos pode citar o morador que sai de carro e não espera o portão fechar, pois está atrasado, ou acha que não teria qualquer problema. Esquece que a própria família está lá dentro e ela poderá ser a vítima desta irresponsabilidade. Outro exemplo, quando recebe uma pizza na porta do apartamento. É mais cômodo do que ter que se arrumar para descer e pegá-la na portaria.

Estas ações e tantas outras que sugerem motivos pessoais e comodidades reduzem o grau da segurança e o egoísmo deve ser substituído pela visão da coletividade. Neste aspecto o papel da informação pontual, conversas com os grupos, reuniões e assembleias, podem educar e mudar estas situações e tantas outras. Para isto o síndico precisa fazer a sua parte, ele é o mentor de todas as mudanças.

O processo educacional deve ser amplo e contínuo. Funcionários precisam ser treinados, reciclados, valorizados e cobrados. Precisam incorporar a ideia de fazer sempre o melhor, de transmitir ao morador a sensação de segurança, bem-estar e boa vontade.

Para que os funcionários tenham um desempenho exemplar devem passar pelo processo de qualificação via os treinamentos. A qualidade do funcionário já se percebe na hora das entrevistas. Sendo aqui, importante o papel da administradora. Tendo uma boa administradora, o síndico pode dividir muitas funções, como as entrevistas, aconselhamentos, cursos e treinamentos, etc.

Quando o síndico percebe a necessidade de promover mudanças concretas dentro do condomínio que administra, irá descobrir focos de resistência. Estes fotos estão ligados a Cultura Condominial até então estabelecida.

Devemos lembrar que cada condomínio tem seu próprio ritmo, cujos moradores tem suas características peculiares.

Nos relacionamento interpessoais sabemos que não existe uma fórmula mágica para se agradar a todas as pessoas. Importante lembrar que o condomínio é formado por indivíduos e nenhum é igual ao outro, o que torna as vezes muito difícil compreender e trabalhar as pessoas, no entanto, existe no fundo de cada um de nós o desejo de nos sentirmos importantes.

Se você conseguir descobrir e trabalhar este sentimento de se sentir importante, em especial naqueles que oferecem resistência às mudanças estruturais no seu condomínio, aos poucos eles irão passando para o seu lado e apoiando suas ideias e decisões!

Se alguém acha que ser sindico é fácil, que nos ensine este caminho!

João Bosco Rebello, síndico, consultor e parceiro da Adees.
contato@rebelloconsultoria.com.br